4.08.2006

Leitor em Formação

Na leitura de um livro, uma página de jornal, uma revista especializada, o leitor se torna também o criador do texto. Não há leitor de verdade quando não se realiza no ato da leitura a mágica da comunicação. Em especial na literatura, o leitor é co-autor da obra que se materializa nos sentidos surgidos e (re)significados por sua vivência. Sabemos que a literatura é plurissignificativa. Percebemos a co-autoria do leitor, por exemplo, quando dizemos que quando relemos -anos mais tarde - uma dada obra literária e que a nossa compreenção foi outra, foi diversa daquela primeira vez.
Na Escola
Dos leitores que orientamos nas escolas hoje em dia exigi-se mais que uma decodificação. Pelo menos é isso que se espera. Nossas crianças e adolescentes submersos em imagens e informações que chegam por TV, internet, cinema, noticiários e publicidade têm uma certa dificuldade - quando apenas restritos a tais meios - em direcionar a atenção para o texto escrito e, em muitos casos, não atingem um grau mínimo de abstração exigido para determinados enunciados. E como nós, os professores, ficamos agimos nestes casos? Temos que traduzir tal texto para a classe negando assim o sentido maior da leitura ao nosso aluno? Não. É preciso orientar, sim, e mesmo adequar o texto ou o livro ao nível abstração do educando. No entanto, que não caiamos nos também limitadores estereótipos que transformam a literatura em compartimentos estanques, criando assim uma espécie de hierarquia. (Continua)
By Tânia B.

2.22.2006

Leitura: Caminho para o conhecimento



Secretário anuncia a ampliação do Programa de Leitura em Friburgo (trecho retirado do site da Seerj)



"Para marcar a semana de volta às aulas, nesta terça-feira (21/02), o secretário de Educação, Claudio Mendonça, passou o dia em Nova Friburgo. Este ano, 28.900 estudantes estão matriculados em 52 escolas ligadas à Coordenadoria Regional Serrana II e 29 ficam na cidade. De manhã, ele participou do Seminário “Leitura: Caminho para o conhecimento”.



Durante o evento, Mendonça anunciou a ampliação dos grupos de leitura. A meta é atingir 300 mil estudantes, em 2006.



- Nossa expectativa é trabalhar este ano com o Ensino Médio. O que vamos precisar é de uma grande mobilização das famílias, dos meios de comunicação e, fundamentalmente, dos professores. Criar uma nação de leitores é um desafio que eu lanço nesse seminário. Eu acho que o Rio de Janeiro pode mostrar para o país a importância de se formar leitores, indispensável para que a humanidade possa evoluir.



O secretário anunciou, ainda, a criação de um prêmio para as 20 unidades escolares que mais se destacarem com relação ao desempenho dos alunos, aprovação e baixa renda. Com isso, será avaliado o efeito escola, levando em conta a realidade que o estudante tem em casa."


=x-

Pois que estejamos atentos à nova metodologia adotada este ano, que visa exatamente o desenvolvimento do poder crítico e de produção textual dos alunos.

2.14.2006

Educação Para os Meios de Comunicação

Nos dias atuais é fundamental que nossa educação, nossas escolas, estejam voltadas e preparadas para uma educação para os meios de comunicação de massa (MCM). Acho óbvio o motivo, mas esclareço: nosso país não discuti o assunto como deveria, exceto em algumas faculdades de Letras, e de Pedagogia.

Por que é fundamental uma educação voltada para os MCM? Ora, para orientar e ajudar crianças e adolescentes do nosso país - extremamente voltadas para a TV - na leitura crítica dos conteúdos. Mostrar-lhes que nada é neutro em termos de TV, jornalismo, propaganda, e que por trás de toda a parafernália eletrônica há um poder e uma ideologia trabalhando com níveis muitas vezes subliminares dos telespectadores.

Num país de gravíssima desigualdade social, onde a distribuição de rendas é das mais injustas e contrastantes do mundo, a questão da educação para os MCM, se implantada nas escolas, ajudaria em todos os níveis da formação do educando, pois que amenizaria o principal fator de degeneração de uma sociedade, e de escravidão mental: a falta de questionamento da realidade.

Um leitor profícuo em todos os sentidos do “ler o mundo”, é capaz de posicionar-se criticamente diante das mensagens, reconhecendo-lhes o modo de operar a linguagem, visual e verbal, produzindo assim um efeito predeterminado.

Este trabalho pedagógico de alguma forma vem sendo trabalhado nas escolas, mas ainda é muito pouco proveitoso. Materiais não didáticos e adaptados já fazem parte da vida escolar: teatro, jornal, TV, HQ, mas ainda não dominamos uma pedagogia que transforme este ato de questionamento em habito, tão poderosa é a influência midiática, e o pouco nível da nossa educação. Fora algumas pesquisas que andei lendo sobre o assunto, como trabalhos desenvolvidos pela pós-graduada em Letras da USP, Eliana Nagamini, e a a professora de sociologia da cultura, Tânia Pellegrini, da UNESP, entre outros, pouco se fala e discute, mesmo nas reuniões de professores e pais, onde seria interessante pautar o assunto tão próximo de nós.

E o pouco que já foi trabalhado em alguns projetos como “A circulação do Texto na Escola”, já indica os benefícios da reflexão dos variados textos que nos circundam, e confundem (texto = palavras, imagens). Assumiria, assim, a comunidade escolar, um controle maior sob os efeitos negativos e positivos, por exemplo, da TV na vida dos brasileiros.

Se a mídia é um dos poderes atuais, mais um forte motivo para nos preocuparmos em preparar nossos alunos e filhos para domina-la.

By Tânia B.

1.04.2006

O ato da Escrita

(Esta matéria em especial fala de Literatura)



Ela foi e continua sendo discutida, falada, mal falada, analisada sob vários aspectos, esmiuçada, pensada, idealizada por muitos que acham possuir só uma forma de fazê-la. Também continua sendo desmistificada, como no início do século XX. Velha companheira de homens, mulheres, e crianças de todos os tempos, o importante é que a Senhora Literatura está mais viva que nunca.

E, talvez, nunca tenha estado tão viva e democratizada como agora, com o advento da internet. Temos não somente novos leitores, como novos escritores surgindo. E aos mais refratários, ainda, à idéia e ao fato da internet ser também um benefício ocorrido no que tange a arte de escrever e ler, me limito a apontar o grande número de revistas culturais eletrônicas, e-books, sites literários, e blogs, também literários, onde seus donos exercitam o prazer da escrita, da criação, lêem e comentam seus colegas, e assim também aprendem. O suporte blog é sem dúvida um convite à criatividade e ao desenvolvimento e troca de opiniões, pois estar conectado ao mundo, mesmo que virtualmente é uma necessidade, ou seja, comunicar-se. Por isso, também na internet encontramos os grupos, as tribos, de todas as idades, talentos, e gostos.

Se por um lado há muita mesmice, repetição de temas, e até uma certa pobreza de estilo, é certo dizer que muitos ainda estão em fase de sensibilização, e que a prática melhora, e muito, o trabalho com a palavra, com o estilo, e desenvolve, também, a autocrítica.

Leitura e escrita

O estudo e a investigação devem sempre fazer parte desse universo criativo, até para que aquele que escreve tenha uma idéia do que já foi realizado, e o que está sendo criado contemporaneamente. Isso vale tanto textos de ficção em prosa e verso, como ensaios, críticas, artigos; leitura sobre todos os assuntos que nos rodeiam, e também leitura de teoria literária, por quê não? Sim, e se por um lado percebermos que pouco sabemos ainda, por outro, nada melhor que desenvolver uma bagagem de conhecimentos na área que desejamos participar, mesmo que a prática seja um lazer, sem pretensões profissionais.

Mas, o importante vai além do aspecto da leitura do mundo, e do conhecimento teórico. Refiro-me ao refinamento espiritual e intelectual da pessoa que escreve e lê. Refiro-me também à possibilidade de participar da vida, da arte, ser um agente do deslocamento daquilo que está cristalizado na língua, nos signos.

Representação do real

Uma das forças da literatura é a representação do real. Segundo Barthes, em sua “Aula”, o real não é representável, mas demonstrável. E ainda com Lacan, o real é o impossível de ser atingido, escapa ao discurso.

A história da literatura é a história dos que tentaram demonstrar este impossível, este real. É afirmação do delírio, no salutar sentido de escapar ao aprisionamento da língua. E o deslocar-se é aparecer onde não se é esperado. É fazer sentido num espaço outro, reinventando as possibilidades, e impossibilidades, e como já dizia Cecília Meirelles, “a vida só é possível se reinventada”.

A publicidade também usa alguns dos recursos estilísticos usados pela literatura, e trabalha com o imaginário, em imagens e textos, para vender seus produtos. Mas é um uso com uma finalidade já estabelecida. A literatura não precisa se ater a finalidades, até pode, mas não depende dela. Isso não quer dizer que um texto de uma determinada época, qualquer texto, ficção ou não, não represente uma visão de mundo. Tanto na publicidade, artigos jornalísticos, e na ficção em prosa e em verso, há uma explícita ou implícita leitura do mundo. Daí a necessidade de muita leitura em nossos dias, quando vivemos sob uma tempestade de informações na maioria das vezes repetitivas, e apelativas para preconceitos, e para o consumo desbragado de todo o tipo de mercadoria. Falo um pouco mais sobre isso num artigo recente sobre Educação para os Meios de Comunicação de Massa. Na verdade, a mídia pouco orienta e muito aliena.

Mas, voltando ao tema original, dizem haver uma literatura que vende, e outra, bem menos popular. Sim, mas o valor intrínseco da arte da palavra não se mede em quem vendeu mais ou menos. No Brasil, esta realidade também tem muito a ver com o baixo hábito de leitura desde a tenra idade. Normalmente se consome mais uma literatura já mastigada, fácil. Não quero dizer com isso que todos os que muito vendem, ou são muito acessados e lidos pela Web não possuam talento. E também, nem sempre um texto mais denso significa uma novidade em literatura, ou um talento especial.

Vasto campo de estudos

Como se pode perceber, a Literatura é um campo onde nada é definitivo. Cada época e cada obra têm seus aspectos mais ou menos diferenciados. Há uma gama incrível de ensaios, teses, artigos sobre o cânon literário, advindos dos acadêmicos das áreas de Letras, com leituras as mais diversas nos campos dos saberes humanos como Sociologia, Semiótica, Psicanálise. Mas a literatura não se faz apenas de quem elegeu o Cânon; esse “quem” é uma elite.

Infelizmente, nossas faculdades passaram muitos anos deixando à margem de suas pesquisas diversos grandes autores. Aos poucos esta postura vem sendo revista. Inclusive, aos poucos, também, vão se revelando os novos autores que se fizeram, e se fazem, conhecer primeiramente pela internet. Eis aí um vasto campo de estudo, seja pela quantidade de textos, pela forma como são divulgados, digeridos, e até mesmo pelo processo de produção do texto, ou seja, sua gênese, como uma obra se origina. Aqui, neste caso da literatura que vem se fazendo na internet, ou mesmo fora dela, muitas vezes é na tela do computador que se escreve, com um editor que apaga o texto original se assim desejamos (outra opção seria abrir um novo documento para cada mudança, mas isso não é muito interessante para a maioria, claro). E verificamos neste ponto uma pauta para a Crítica Textual (disciplina que procura restaurar o texto original de um documento, que foi alterado no processo de cópia e recópia).

Este é um ponto importantíssimo de análise para aqueles que seguem a carreira de pesquisa em Letras: iniciar um estudo sobre o novo movimento mundial, global, no fazer literário, ou seja, identificar e relatar este histórico momento, quando, mais uma vez, o avanço tecnológico (vide o surgimento da imprensa) determina e/ou renova hábitos culturais.


By Tânia B.

12.01.2005

Apresentação




Tânia Barros é dramaturga, romancista, poeta, roteirista, professora de Literaturas de Língua Portuguesa, formada pela UFF, com especialização também na área de Letras (Leitura e Produção Textual - UFF). Mora em Niterói, Rio de Janeiro. Fez cursos de roteiro e linguagem cinematográfica.
Contato para Trabalho: letracine@yahoo.com.br